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o poço que me jogo...
jogo-me no poço
e escuro e estreito...
úmido e vazio de sons de vida,
escuto o eco de minha voz
a soprar meus ouvidos nus.
nada enxergo, nada escuto, apenas sinto...
sinto frio,
sinto eu só,
só eu,
ali no escuro...
eu grito por socorro,
mas minha voz se propaga pelo ar,
que não a quer ,
e me manda de volta toda dor de um berro mudo que dei...
bem como me sinto?
sentindo os sentidos se esvaindo pela pouca água que aqui tem mas assim,
mais ou menos assim,
eu mergulho no fundo,
me lavo,
me afogo
no meu próprio pranto,
sem sentido,
sem pressa e sem prece,
que tudo isso passe,
estou gelada...
mas aqui dentro arde algo impagável me queimo,
ardor que provem do desejo,
do não ter medo de amar,
amar mesmo no poço,
mesmo no escuro,
mesmo no fim de tudo...
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